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  • Nossa Guarapiranga

Carta à Guarapiranga

Ah, querida Guarapiranga... Que saudade do que você foi um dia... Águas limpas, tão convidativas para um mergulho ou para a prática de um esporte náutico... Ah, querida Guarapiranga... O que fizeram com você?!


Seu volume de água anda tão baixo. Em vários pontos, você é sufocada com acúmulo de terra, lixo e matéria orgânica, o chamado assoreamento. As ocupações ao seu redor se intensificaram, destruindo, a cada dia, a vegetação que mantém a qualidade das suas águas. E o pior: os parasitas te dominam. Helmintos, protozoários, fungos…


O que fizeram com você, querida Guarapiranga?


Um dia límpida; hoje escura e fétida. Um dia vívida; hoje contaminada, principalmente por esgotos domésticos não tratados que insistem em te alcançar. Um dia esbanjando saúde; hoje com parâmetros tão fora do que preconiza a lei (Resolução Conama 357/2005).


Ah, querida Guarapiranga... O que fizeram com suas águas? O que houve para a vida se esvair dessa forma?


No ponto 5, em frente ao Córrego do Tanquinho, a quantidade de Unidades Formadoras de Colônias (UFC) é 140 (sim, 140) vezes superior à tolerada. Já no ponto 6, existe grande contaminação por coliformes termotolerantes patogênicos, sendo cinco grupos causadores de gastroenterite – infecção intestinal que causa diarreia, cólicas, náuseas, vômitos e febre.


No ponto 15, próximo à Foz do Rio Guavirutuba, há presença efetiva de placas fecais. No ponto 17, no fundo todo comprometido, além de microorganismos patogênicos, até traços de metais (ferro, manganês) há.


Mais fósforo e sulfetos. Menos oxigênio dissolvido. Mais turbidez. Mais, muito mais espécies de bactérias...


Querida Guarapiranga, que quadro grave é o seu... E como ficar ao seu lado quando o odor de fezes e esgoto é insuportável?


O que fizeram com você? Que lei é essa que não te protege? Que povo é esse que não te respeita?


Ah, querida Guarapiranga, você não merece tanto descaso. Perdoe e suporte. Precisamos de você aqui.


Informações retiradas do Laudo Técnico Reservatório Guarapiranga 2021, Primeira Campanha de Coleta, Maio de 2021, produzido por pesquisadores do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos), da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS).


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