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“Guarapiranga 100 anos” – Temporada 1

T1.E1: aquele que é o início de tudo


M'boy-Guaçu, era esse o outro nome do rio Guarapiranga, lá no início do século 20. Ele ficava nos arredores da Vila de Santo Amaro, que era “administrativamente autônoma, abrigo de antiga colônia alemã e de economia pouco expressiva”. Por ali, projetou-se uma “super hiper mega” barragem: 1.640 metros de extensão, 15 metros de altura máxima, 200 milhões de metros cúbicos de água a ser armazenada. “Era a maior obra do gênero, à época, em todo o hemisfério sul.” Em 1906, as obras começaram.



A tal represa do Guarapiranga nasceu entre março e abril de 1909, mas vê-la implicava determinação e tempo. “Tomava-se o bonde da Light no bairro da Liberdade e, após longo percurso, chegava-se a Santo Amaro e ao Largo do Socorro, de onde a viagem prosseguia a pé. Quem se aventurava de carro não raramente atolava em algum trecho da jornada.”


T1.E2: aquele com os velejadores


Bert Greenwood e Greg Holland não se aguentaram e logo foram atrás de enfeitar aquela imensidão de água com barcos a vela, claro! E detalhe: as embarcações não existiam na cidade; tiveram que ser construídas “até mesmo utilizando madeira que embalava mercadorias importadas pela Mappin Stores” (Greenwood era o superintendente de lá). Em 1917, a dupla de ingleses fundou – mas ainda sem sede – o São Paulo Sailing Club, que mais tarde seria rebatizado como São Paulo Yacht Club (SPYC).


T1.E3: aquele com os irmãos Gusberti


Linneu, Carlos e Guido Gusberti, nascidos em Cremona, comuna italiana da região da Lombardia, não se intimidaram com a falta de eletricidade e de asfalto e construíram, na metade da década de 1920, o hotel-restaurante Grande Recreio da Repreza, que tinha capacidade para atender a 400 pessoas. Os irmãos também levantaram a primeira escola do bairro, com quatro salas de aula.


T1.E4: aquele com os aviadores


A bordo de um hidroavião, eles partiram de Gênova e passaram por Roma, Cabo Verde, Fernando de Noronha e Rio de Janeiro. Em São Paulo, o italiano Francesco de Pinedo, na companhia de Carlo Del Prete e Vitale Zachetti, “fez um par de giros sobre a cidade e pousou com segurança, em 28 de fevereiro de 1927, no lago de Santo Amaro – ele mesmo escreveria que ‘diante de uma multidão de italianos, que vieram de todas as partes do Estado’”.


Peripécia parecida fez o brasileiro João Ribeiro de Barros. Naquele mesmo ano, a bordo do hidroavião Jahu (homenagem à sua cidade-natal), ele e sua tripulação – Vasco Cinquini, João Negrão e Newton Braga – decolaram de Cabo Verde e, 12 horas depois, chegaram a Fernando de Noronha. Nos meses seguintes, voaram pela costa brasileira: Natal, Recife, Salvador, Rio de Janeiro e Santos até, finalmente, pousarem na represa do Guarapiranga.


“Tiveram uma recepção histórica. O jornal O Estado de S. Paulo estimou que 40 mil pessoas correram a Santo Amaro para ver o pouso do Jahu. Bondes da Light, abarrotados, foram depredados por multidões que não tinham alternativa para o deslocamento até o extremo sul. No trajeto de Barros e seus companheiros até o centro da cidade, uma festa nas ruas. Cerca de 100 mil pessoas teriam se aglomerado no Largo da Sé.”


T1.E5: aquele com os clubes


Em 1929, na margem direita da represa do Guarapiranga, o inglês São Paulo Sailing Club, enfim, construiu sua sede. No ano seguinte, ali pertinho, foi inaugurado o alemão Deutscher Segel Club. Em 1937, mais ao sul, surgiu o Clube de Campo de São Paulo. E dez anos depois, foi a vez de o também inglês São Paulo Athletic Club (SPAC) iniciar sua história.


“Tudo parecia caminhar bem até que a irrupção da Segunda Guerra Mundial ameaçou a sobrevivência do Deutscher Segel Club, situação que foi contornada com a mudança de seu nome, para Yacht Club Santo Amaro (YCSA), e gestos de apreciável diplomacia, como a cessão de suas instalações para o treinamento de soldados do exército brasileiro.”


Fim da Temporada 1 – a continuar...


Fonte: livro “Guarapiranga 100 anos”, de Ricardo Araujo e Mariângela Solia. São Paulo, Fundação Energia e Saneamento, 2014.

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